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Assuntos Diversos

Recife usará mosquitos estéreis para combater a dengue

  Publicada em 15/07/2017



Expectativa é que até dezembro deste ano os mosquitos produzidos em laboratório comecem a ser soltos
 
Mosquitos estéreis lançados no meio ambiente são a nova aposta da Prefeitura do Recife para o controle das doenças transmitidas pelo Aedes aegypti. A iniciativa, pioneira no mundo, segundo a gestão municipal, é feita em parceria com a Agência Internacional de Energia Atômica e a Biofábrica Moscamed. A expectativa é que até dezembro deste ano os insetos produzidos em laboratório comecem a ser soltos, mas a quantidade e os bairros onde eles serão liberados ainda estão em estudo. 
 
"Esta é uma experiência em escala global que acontecendo aqui na nossa cidade e todos os resultados serão medidos para avaliação. Se forem positivos, essa iniciativa poderá ser ampliada para outras cidades do Brasil e do mundo", afirma o prefeito do Recife, Geraldo Júlio.
 
Apenas os mosquitos machos serão liberados no meio ambiente - eles não picam humanos, o que garante a segurança da tecnologia. Ao copular com a fêmea, não serão gerados descendentes. O resultado esperado, então, é a redução da população de mosquitos selvagens, que são os que transmitem a dengue, zika e chikungunya.
 
A secretaria de Saúde do Recife vai acompanhar todo o estudo, que contará com a participação dos cerca de 800 agentes municipais de saúde ambiental. Antes dos mosquitos serem lançados, os moradores das áreas também serão informados.
 
"Para participar, é preciso que o bairro tenha problema com a dengue, consiga diminuir, com os métodos tradicionais, a quantidade de mosquitos e a partir daí, o inseto estéril participa, para reduzir ainda mais esses números", explica o secretário de Saúde da capital, Jailson Correia. "Também queremos bairros que sejam comparáveis entre si, na própria geografia e no número de habitações, por exemplo", informa.
 
De acordo com o secretário Jailson Correia, este ano houve uma redução de mais de 95% do número de casos de dengue, zika e chikungunya e o mesmo número de diminuição de mortes por arboviroses, comparado ao mesmo período com o ano passado. "Mas não podemos baixar a guarda, pois o risco de novos surtos permanece e por isso continuamos o trabalho de enfrentamento", garante.
 
A técnica de esterelização de insetos já é utilizada para o controle de pragas da agricultura. No Vale do São Francisco, no Sertão de Pernambuco, por exemplo, esta tecnologia ajuda no controle da mosca das frutas. "A demanda para a produção em laboratório do Aedes surgiu com o boom de dengue no estado", comenta o diretor presidente da Biofábrica Moscamed, Jair Virgínio.
 
No entanto, Vigínio alerta que a tecnologia dos insetos estéreis por si só não é a solução de todos os problemas. "Não é uma técnica salvadora, mas sim uma iniciativa que chega para ser somada às outras estratégias de combate que a população precisa executar, como o controle de água parada nas casas", lembra.
 
De acordo com balanço da secretaria de Saúde da capital, até a primeira semana junho, foram notificados, no Recife, 1.773 casos de arboviroses. Desses, 1.293 casos de Dengue, 416 de Chikungunya e 64 de Zika. Foram confirmados 689 casos, sendo 500 de Dengue e 189 de Chikungunya.
 
Segundo o último Levantamento Rápido do Índice de Infestação para Aedes aegypti (LIRAa), em maio, o resultado geral do Recife foi de 2,3% - risco médio de infestação do mosquito.
 
Fonte: Folha de Pernambuco
 
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